A navegação de cabotagem é feita entre os portos de um mesmo País usando vias marítimas ou outros tipos de cursos igualmente navegáveis como rios e lagos. O objetivo é transportar mercadorias de uma ponta a outra sem sobrecarregar as rodovias.
O que diferencia a navegação de cabotagem dos outros transportes marítimos em geral é que ela não é uma navegação de longo curso, ou seja, não se perde a costa de vista.
Como funciona a navegação de cabotagem no Brasil?
O País possui excelentes recursos naturais para realizar a cabotagem, mas infelizmente, esse potencial não é tão explorado como poderia ser. Isso acontece porque o Brasil dá muita prioridade para o transporte rodoviário, além de ser uma modalidade mais cara, ela sobrecarrega as vias de todo o território.
No ano de 1920 o Brasil ganhou muitos incentivos para construção de estradas, desde então, não se pensou em investir em outras modalidades de transporte.
Com aproximadamente 8 mil quilômetros de costa, o ideal seria explorar todo esse potencial. Nos últimos anos houve um lento crescimento nesse setor, onde foram comprados 21 embarcações sofisticadas e modernas com a bandeira brasileira para realizar o transporte de contêineres.
Embora haja esse crescimento, mais de 63% da produção brasileira ainda é escoada pelas rodovias, enquanto que 21% passa pelas ferrovias e apenas 13% se dividem entre a navegação de cabotagem, fluvial e lacustre.
Quais as vantagens da navegação de cabotagem no Brasil?
Alcançar o equilíbrio entre as modais pelo visto é assunto que está ficando em segundo plano pela política brasileira, apesar da excelente quilometragem de costa e portos desenvolvidos, ainda há muita margem de crescimento nesse quesito.
A navegação de cabotagem apresentam inúmeros benefícios, os principais deles são:
- Grande capacidade de carga – Pode ser transportado um bom volume de produtos armazenados em contêineres de uma só vez.
- É seguro – Possui menos riscos de roubos quando comparado ao transporte rodoviário;
- Polui menos – Não agride a natureza, pois emite menos gases poluentes como acontece com os caminhões;
- Econômico – O uso de combustíveis é menor do que outras modais;
- Redução do trânsito – O aproveitamento desse recurso para transporte de mercadorias poderia reduzir a frota de caminhões nas estradas, como consequência disso, a poluição seria menor, haveria uma redução de gastos com manutenções do asfalto e certamente, aconteceria menos acidentes e mortes;
Existe uma grande defesa em prol da cabotagem especialmente quando o assunto é a emissão dos gases poluentes. Em tese, um navio emite quatro vezes menos carbono por tonelada transportada do que um caminhão.
É por isso que em Países como China e Estados Unidos, essa modalidade movimenta grandes volumes de carga.
Desvantagens da navegação por cabotagem
Embora a atuação brasileira nessa modalidade seja tímida, os setores de granéis líquidos (óleos e derivados de petróleo) são os que mais usam a cabotagem. Com relação aos granéis sólidos ( milho, trigo e soja) a movimentação é muito pequena.
Existem fatores que reduzem o acesso a essa modalidade, são elas:
- Burocracia portuária que prejudica o desembaraço da mercadoria. No transporte rodoviário, isso se desenrola em 3 dias, enquanto que na cabotagem, pode levar de 5 a 6 dias;
- Limitação das rotas devido a falta de investimentos na modalidade;
- Lentidão no deslocamento das mercadorias e como consequência, exige um prazo maior na entrega;
- Os combustíveis usados em navios não tem isenção de impostos;
Certamente que muitos desses pontos negativos podem ser resolvidos com um investimento maior no setor, isso cabe a política brasileira. O fato é que um País produtivo como Brasil e com uma extensa costa, a navegação por cabotagem ainda tem muito a se desenvolver.
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